Entretenimento e Esportes

Desde a Grécia Antiga, entretenimento e esportes caminham lado a lado. A lenda que diz que Héracles (ou Hércules na versão romana e mais difundida pelo ocidente e por Hollywood) fundou os Jogos como um dos festivais esportivos gregos que eram realizados durante uma festa religiosa em homenagem a Zeus, seu pai.  Os Jogos Olímpicos, com sua origem datada há cerca de 3.000 anos, foram extintos por serem considerados uma festa pagã por Teodósio I, um imperador Romano cristão, sendo revividos no final do século 19 pelo Barão Pierre de Coubertin (1863-1937).

Zeus e HerculesZeus | Hércules e Cérbero

Nesse ínterim é que nasceu o conceito do Panem et circenses (“Pão e Circo”) da Roma Antiga, com gladiadores lutando em anfiteatros como o Coliseu, muitas vezes pela própria vida, para o delírio da multidão. Obviamente, os que possuíam mais habilidades atléticas tinham mais chance de sobreviver e de cair nas graças do povo (e dos Césares), como bem ilustrado no filme Gladiador (2000).

GladiatorCena do filme “Gladiador” (2000)

Com o renascimento das Olimpíadas e a constante evolução da mídia, apesar dos esportes já serem explorados com diferentes fins desde tempos remotos, refinaram-se também as formas de capitalizar valores intangíveis, como a admiração do público e a fama dos atletas, através de propagandas e do que convencionou-se chamar hoje em dia de “marketing esportivo”.

Do ponto de vista meramente esportivo, a saúde, a superação humana, as glórias das vitórias e princípios éticos como o fair play (ou “jogo limpo”) são cultivados como sendo o Norte na bússola dos atletas, digamos, de alma.  Mas é preciso lembrar que a via de mão dupla entre o esporte e o entretenimento e suas formas de capitalização são um dos combustíveis modernos para ambas indústrias. No fim das contas o que está em jogo são a “imagem” e os “valores” que esportes, atletas e produtos do entretenimento representam. Os esportes que conseguem ser “embalados/formatados” como um produto de entretenimento têm mais chance de prosperar, ao passo que o show business muitas vezes floresce em torno do esporte e acolhe seus ídolos durante suas carreiras e após suas respectivas aposentadorias. Muitos atletas fazem participações especiais em filmes e programas de TV, e alguns iniciam uma nova carreira, seja como comentaristas esportivos ou atores, por exemplo.

Pierre Coubertin Stamp olympic ringsBarão de Coubertin / Aros e Lema Olímpicos

Entretenimento e esportes, por representar valores, também já foram usados como arma ideológica e de propaganda. A transmissão televisiva dos Jogos Olímpicos de Berlin em 1936 e o financiamento farto do filme documentário “Olympia” (1938) mostraram-se uma grande oportunidade para que os nazistas fizessem propaganda de seu regime e de seus atletas. Mas vitórias do atleta americano Jesse Owens sobre os atletas alemães causaram um grande desapontamento a Adolf Hitler durante os Jogos.

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A teoria da “superioridade ariana” pregada pelos nazistas falhou não apenas uma, mas quatro vezes consecutivas. Owens, que possuía o “agravante” (para o “Führer” e a ideologia nazista, é claro) de ser negro, conquistou de forma brilhante três medalhas de ouro individuais e uma no revezamento 4 x 100. Os atletas alemães, medalhas de prata e bronze, prestaram a saudação nazista no pódio. Jesse Owens, ao observar seus adversários saudando Hitler daquela forma, prestou sua homenagem à bandeira dos Estados Unidos com a continência militar americana (que, especula-se, tem sua origem na saudação entre cavaleiros antes das justas medievais, elevando-se o visor de seus elmos). Concluindo: diz a lenda que Hitler deixou o estádio enfurecido e a Coca-Cola fechou um contrato com Owens como garoto propaganda (Poster da Coca-Cola na época, com Jesse Owens).

Hollywood também fazia uso da fama de jovens atletas para potencializar a bilheteria de suas produções. Johnny Weissmuller, detentor de 5 medalhas olímpicas de natação conquistadas nos Jogos de Paris (1924) e Amsterdam (1928) já estrelava os clássicos filmes de “Tarzan”, a partir do início da década de trinta até os anos 40. Steve Reeves e Reg Park, ambos fisiculturistas e detentores de títulos como Mr. Universo, pavimentaram o caminho e serviram de inspiração para atores musculosos e que dispensam apresentações, como Arnold Schwarzenegger e Sylvester Stallone, através de filmes de aventura e principalmente no estilo Sword and Sandals (“espada e sandálias”) interpretando personagens Hércules e Golias nos anos 50 e 60. A vida segue, e a história se repete com ex-atletas de futebol americano e luta-livre como Terry Crews e Dwayne “The Rock” Johnson na atualidade.

Heroes MontageDireita para a esquerda, de cima para baixo: Johnny Weissmuller, Steve Reeves, Reg Park, Arnold Schwarzenegger, Sylvester Stallone, Terry Crews, Dwayne Johnson.

As cifras astronômicas em contratos de publicidade, a globalização e o aumento exponencial da interface dos atletas com o mundo midiático não dão sinais de desaceleração. A exposição dos atletas e dos esportes ao público/mercado consumidor só cresce, desde os tempos do jornal “apenas” impresso, do rádio e TV valvulada transmitindo os feitos do “Rei” Pelé até os dias de hoje, com redes sociais, portais de notícias online em tempo real e transmissões digitais em alta definição, agora com Neymar Jr. e outros pop stars nas luzes da ribalta.

Pelé e Neymar JrPelé & Neymar Jr.

Os heróis do esporte que alcançaram o pico de suas conquistas e seu lugar ao sol na história batalhando com sangue, suor e lágrimas, hoje em dia tem mais oportunidades para estender suas carreiras, aproveitando a transição que o entretenimento proporciona.

Na era da informação, a luta é por atenção, tamanha a pulverização e o acesso aos meios de comunicação para alcançar o público. O que antes era um esforço Hercúleo (sem trocadilhos olímpicos intencionais) hoje em dia não é apenas possível, mas muito comum: qualquer pessoa pode realizar uma transmissão ao vivo, com um telefone celular que se carrega no bolso. A maioria de nós se tornou protagonista e público, observando e sendo observado. E é nessa “selva” que eu me divirto e vou vivendo, reportando o que vejo e dividindo com os leitores desse blog minha aventuras e percepções no mundo do entretenimento e do esporte.

Grande abraço e até a próxima!

Daniel Bertorelli - Blog post 1

Escrito por

Writer / Actor / Director / Producer. Saving the world. One movie at a time! :)

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